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ALÉM DO VÍCIO E DO CONTROLE: Redescobrindo o “nós”

Por Jayr Santos

Introdução

Todo relacionamento amoroso passa por desafios. Há momentos de harmonia, mas também períodos de dor, em que o vínculo parece enfraquecer. Nesses momentos, os conflitos não afetam apenas um dos parceiros, mas todo o campo relacional que os dois compartilham.

Um exemplo disso acontece quando dificuldades individuais se tornam um peso para o casal. O vício em jogos de aposta, por exemplo, pode gerar frustração, perdas financeiras e quebra de confiança. Ao mesmo tempo, a angústia do parceiro que sofre com essa situação pode se traduzir em atitudes de controle, vigilância e desconfiança, ampliando o abismo entre os dois.

A Psicanálise Vincular oferece um caminho para compreender e transformar essas crises, ajudando o casal a redescobrir a força do “nós”.

O Caso de Beto e Lorena

Imaginemos Beto e Lorena, um casal fictício. Casados há quatro anos, Beto, que por conta de apertos financeiros, começa a se envolver com jogos de aposta online. O que parecia diversão passa a ocupar cada vez mais espaço em sua vida, trazendo dívidas e mentiras para esconder as perdas.

Lorena ao perceber a situação, sente medo e insegurança. Em resposta, adota uma postura controladora: confere gastos, vigia horários, controla o celular, questiona tudo. A confiança se fragiliza, e o relacionamento se transforma em um campo de acusações e ressentimentos. Nesse cenário, Beto sente-se sufocado, e Lorena, traída. Ambos sofrem, mas cada um isolado em sua dor. O casal já não consegue conversar sem entrar em conflito, e o vínculo amoroso parece fragilizado, vulnerável a se dissolver.

O olhar da Psicanálise Vincular

A Psicanálise Vincular parte da ideia de que os sintomas, como o vício de Beto ou o controle de Lorena, não pertencem apenas a um indivíduo, mas fazem parte de um padrão relacional construído no casal. Com essa perspectiva, a terapia focará em não  apontar culpados, mas compreender como cada parceiro contribui para manter a dinâmica que gera sofrimento. Beto é convidado a refletir sobre o que busca no jogo: uma fuga da realidade, uma sensação de poder ou a tentativa de aliviar tensões internas. Lorena, por sua vez, pode reconhecer que seu controle, embora nasça da angústia, acaba por aumentar a distância entre os dois.

Nesse espaço de escuta, o casal aprende a enxergar que o problema não é apenas “o vício dele” ou “o controle dela”, mas o círculo vicioso que ambos alimentam. O processo terapêutico oferece a chance de criar novos significados para o vínculo, promovendo maior diálogo, empatia e cooperação.

Redescobrindo o “Nós”

Com o tempo, Beto e Lorena podem aprender a reconstruir sua relação. O vício não desaparece de um dia para o outro, assim como a desconfiança não se desfaz instantaneamente. Mas, ao reconhecerem juntos o papel que desempenham no vínculo, abre-se espaço para novas formas de convivência.

A terapia possibilita que o casal compreenda as origens emocionais do conflito, em vez de se fixar apenas nos comportamentos. Isso permite que os sintomas do vício em jogos online e a desconfiança sejam transformados em linguagem, percebendo o que eles revelam sobre o vínculo do casal. Tal fato abrirá oportunidade para novas descobertas e novas maneiras de se relacionar, menos baseadas em culpa e mais em compreensão, permitindo o fortalecimento do “nós”, que pode ser maior que a soma das dores individuais.

O processo não é apenas de cura, mas de transformação da dor em possibilidade de crescimento conjunto.

Conclusão

A história de Beto e Lorena ilustra como os vínculos amorosos podem adoecer quando os problemas não encontram espaço de diálogo e simbolização. A terapia psicanalítica vincular mostra que, mais do que culpar ou corrigir o outro, é possível olhar para o campo relacional e reconstruir o “nós” que sustenta o casal.

Se você ou alguém que conhece enfrenta uma crise parecida, mesmo que com sintomas diferentes, lembre-se que pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas de coragem. A terapia de casal, especialmente na perspectiva vincular, pode abrir caminhos de transformação, onde antes só havia dor e silêncio. Sempre é tempo de redescobrir o amor, e o “nós” que dá sentido ao estar junto.

Eu sou Jayr Santos e será um prazer manter contato com você, na certeza de que a psicanálise vincular oferecerá ferramentas capazes para atuar positivamente nos vínculos relacionais entre você e seu parceiro. 

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