Por Jayr Santos
Introdução
Marjore tem 47 anos. Trabalha o dia inteiro, cuida da casa, acompanha os filhos adolescentes e ainda auxilia a mãe idosa em consultas médicas. Aos olhos de todos, é uma mulher forte, organizada e sempre disponível. Porém, nos últimos meses, começou a sentir um cansaço diferente. Dorme pouco, chora escondida, irrita-se facilmente e vive com a sensação constante de que algo ruim está para acontecer.
Quando perguntam se ela está bem, responde: “É só cansaço.”
A história de Marjore representa muitas mulheres entre 35 e 60 anos que vivem sobrecarregadas emocionalmente, tentando atender às expectativas da família, do trabalho e da sociedade, enquanto silenciam os próprios conflitos internos. Nessa fase da vida, a ansiedade feminina muitas vezes não surge apenas pelo excesso de tarefas, mas como expressão de dores emocionais profundas, conflitos de identidade e esgotamento psíquico.
A psicanálise contribui para compreender esse sofrimento para além dos sintomas, buscando escutar o significado emocional presente na ansiedade.
A ansiedade feminina na meia-idade
Entre os 35 e 60 anos, muitas mulheres enfrentam mudanças importantes: envelhecimento corporal, alterações hormonais, desgaste conjugal, saída dos filhos de casa e excesso de responsabilidades. Além disso, surge a necessidade de redefinir a própria identidade.
Essas mudanças podem gerar insegurança, vazio e perda de sentido. A ansiedade costuma aparecer por meio de preocupações excessivas, pensamentos acelerados, insônia, irritabilidade, tensão muscular, crises de choro, culpa constante e sensação de sobrecarga.
Mesmo funcionando normalmente diante da sociedade, muitas mulheres vivem emocionalmente exaustas. Sentem-se responsáveis por amparar todos ao redor, enquanto ignoram suas próprias necessidades afetivas.
A cultura também influencia esse quadro. Desde cedo, muitas mulheres aprendem que precisam ser fortes, cuidadoras e emocionalmente disponíveis o tempo inteiro. Assim, reprimem tristeza, raiva, frustração e cansaço. Com o passar dos anos, aquilo que não encontra espaço para ser falado transforma-se em sofrimento emocional.
O olhar da psicanálise
A psicanálise compreende a ansiedade como sinal de conflitos internos não elaborados. Para a teoria freudiana, a ansiedade funciona como um alerta psíquico diante de conteúdos emocionais reprimidos.
Em muitas mulheres, esse sofrimento pode estar relacionado ao medo de perder valor afetivo, à necessidade excessiva de aprovação, à culpa por cuidar de si mesmas, ao luto pela juventude e à dificuldade de reconhecer limites.
Freud observava que emoções reprimidas frequentemente encontram formas indiretas de se manifestar, surgindo através do corpo e dos sintomas. Dessa forma, alerta que a ansiedade não deve ser vista apenas como um problema a ser eliminado rapidamente, mas também como uma mensagem emocional que precisa ser compreendida.
A clínica psicanalítica e o cuidado emocional
A escuta psicanalítica busca compreender o significado subjetivo da ansiedade. O objetivo da análise não é apenas eliminar sintomas, mas ajudar a pessoa a reconhecer os conflitos emocionais presentes em sua história.
Quando Marjore iniciou sua análise, falava apenas sobre o cansaço. Com o tempo, percebeu sentimentos mais profundos, como medo de decepcionar, a necessidade constante de aprovação, sua dificuldade em dizer “não”, a sensação de abandono emocional e a culpa ao pensar em si mesma. Foi a análise que ofereceu o espaço onde ela pôde falar sem precisar interpretar papéis ou expectativas. Aos poucos, aprendeu a reconhecer seus limites, a elaborar perdas e reconstruir sua identidade emocional.
Em muitos casos, a ansiedade não revela apenas medo do futuro, mas também sofrimento diante da vida que foi construída e dos desejos que ficaram esquecidos.
Conclusão
A ansiedade feminina entre os 35 e 60 anos vai além do estresse cotidiano. Muitas vezes, expressa anos de silenciamento emocional, excesso de responsabilidades e conflitos internos não elaborados.
Mulheres como Marjorie continuam funcionando, trabalhando e cuidando de todos, enquanto emocionalmente vivem esgotadas.
Nesse contexto, a psicanálise oferece uma contribuição importante ao transformar sintomas em palavras. Ela possibilita que a mulher compreenda sua história, reconheça suas dores e encontre formas mais saudáveis de existir. Em muitos casos, a mudança começa quando essa mulher percebe que também precisa ser cuidada. Não apenas pelos outros, mas por si mesma.
Escute sua mente. Reescreva sua história.
Que texto necessário! Obrigada!
Excelente texto!
Parabéns!
Palavras de sabedoria! Estava necessitando de tais explicações.
Que Deus abençoe, Pr.Jayr!
Excelente texto!
Parabéns!
Um texto que merece ser lido por todas nós mulheres, mas também PRECISA ser lido pelos homens que desconhecem nossas inúmeras facetas e as reais necessidades que temos e que, na maioria das vezes, escondemos. Obrigada pelo banquete necessário! Faz um tempinho que aprendi com a psicanálise que o autocuidado salva não só a própria vida, mas a de todos que nos cercam! Demorei para entender, mas consegui.
Parabéns pelo texto 👏🏻
Texto bem atual. A meia-idade feminina é uma fase de transição profunda e a ansiedade pode ser um reflexo de necessidade de mudança e de superação.
Que texto importante! Obrigada por compartilhar!
Excelente texto!!Precisamos refletir e buscar ajuda quando necessário!
A sobrecarga das mulheres que no mundo atual tem várias funções, muita cobrança que acabam se sentindo cansadas demais, perdendo suas forças! Algumas demonstram extremo cansaço e estao estressadas. É necessário perceber que precisamos de ajuda!
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A sobrecarga das mulheres que no mundo atual tem várias funções, muita cobrança que acabam se sentindo cansadas demais, perdendo suas forças! Algumas demonstram extremo cansaço e estao estressadas. É necessário perceber que precisamos de ajuda!