Por Jayr Santos
Muitas pessoas convivem durante anos com dores constantes, crises de ansiedade, insônia, gastrite, tensão muscular, cansaço excessivo e outros sintomas físicos sem perceber que, em alguns casos, o corpo pode estar expressando sofrimentos emocionais antigos.
Isso não significa que a dor “é invenção da cabeça”. A dor é real. O sofrimento é verdadeiro. Mas existe uma ligação profunda entre emoções e corpo que muitas vezes passa despercebida. A Psicanálise observa que experiências difíceis, perdas, rejeições, humilhações e traumas emocionais nem sempre conseguem ser compreendidas no momento em que acontecem. Algumas pessoas seguem vivendo, trabalhando e cuidando da rotina, mas carregando dentro de si sentimentos que nunca foram realmente elaborados.
E aquilo que não é elaborado costuma se repetir. Em vez de lembrar conscientemente da dor e falar sobre ela, o sujeito muitas vezes revive o sofrimento através de comportamentos, relações difíceis e até sintomas físicos. É como se o corpo assumisse a tarefa de dizer aquilo que as palavras não conseguiram expressar.
Foi exatamente isso que Freud abordou ao falar sobre “recordar, repetir e elaborar”(1). Quando uma dor emocional não encontra espaço para ser compreendida, ela tende a retornar de outras formas. Às vezes na escolha repetitiva de relações que machucam. Outras vezes em adoecimentos que aparecem sem causa emocional aparente.
Há pessoas que carregam no corpo anos de silêncio. Silêncio de uma infância difícil. Silêncio de um casamento adoecido. Silêncio de rejeições nunca superadas. Silêncio de quem passou a vida sendo forte para todos.
O corpo sente o peso daquilo que a mente tentou esconder. Por isso, cuidar da saúde emocional não é exagero. É necessidade! A terapia pode ajudar a pessoa a transformar repetições inconscientes em compreensão, dando nome às dores antigas e criando novas formas de viver.
Porque aquilo que não conseguimos elaborar emocionalmente, pode continuar encontrando caminhos para aparecer. E, muitas vezes, o corpo acaba falando por nós.
Busque ajuda! Talvez o começo da cura não esteja apenas em silenciar o sintoma, mas em compreender a história emocional que ele carrega.
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(1) FREUD, Sigmund. Recordar, repetir e elaborar (1914). In: ___. Edição standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud. Tradução de Jayme Salomão. Rio de Janeiro: Imago, 1996. v. 12.